20 de jan de 2012

Entrevista: Linhares Júnior

A Equipe Futebol Report teve o imenso prazer de entrevistar o craque do jornalismo brasileiro, o narrador do SporTV Linhares Júnior. Queríamos desde já agradecê-lo pelo apoio e confiança.


Veja abaixo a entrevista completa:

Futebol Report: Conte um pouco sobre sua carreira jornalística e de narrador:
Linhares Jr.: Descobri minha vocação aos oito, dez anos de idade, quando fazia transmissões dos jogos de botão. Falo transmissões, porque eu fazia várias vozes (narrador, comentarista, repórter, jogadores dando entrevista e até o barulho da torcida, com foguetório e tudo... rsrs). Me trancava num quartinho e ficava lá durante horas brincando. Um dia, quando estudava arquitetura na Federal do Paraná, decidi que iria tentar ser narrador. Fiz contatos até chegar no radialista Sidney Campos, que era da Rádio Paraná e da B-2 (Clube) em Curitiba. Ele me abriu as portas e eu entrei... Foi em 1983.
Fui radialista até 1999, quando, incentivado pela minha mulher, Simone, que estudava jornalismo, fiz vestibular e entrei na faculdade. Me formei e minha carreira deu uma guinada, até chegar onde estou hoje. Passaei por várias rádios de Curitiba (quase todas), escrevi para o Jornal O Estado do Paraná sobre Fórmula 1 e para o O Globo como correspondente no início dos anos 2000. Faço TV desde 1985. Comecei a narrar em TV em 1995, na TVA e depois na NET, CNT, até chegar no Premiere, Sportv e RPC (Globo do Paraná). Foi uma tragetória longa, que já vai completar 30 anos em 2013.

FR: Você enfrentou dificuldades em sua profissão, principalmente no início?
LJ: A coisa mais difícil é você encontrar a porta de entrada, alguém que lhe dê a primeira oportunidade. Alguém que acredite em você... O passo seguinte é tentar se estabelecer em um mercado pouco valorizado e crescer. Coisas como salário decente, para tornar a brincadeira uma profissão de verdade. Sofri muito com isso... No rádio há muita gente que trabalha por amor a arte e os donos de equipe e emisoras tiram proveito disso, explorando os profissionais sem dó... Mas, é importante estar atento a isso. A maioria dos veículos onde trabalhei não tinham grande estrutura, com dinheiro escasso e o jeito era entrar no esquema e lutar para sobreviver.

FR: Qual foi o momento que você percebeu que seria jornalista e narrador esportivo?
LJ: Lá trás, com oito ou dez anos. Lá comecei a limentar o sonho. O rádio era meu companheiro inseparável. Sempre gostei de esportes e acompanhava tudo pelo rádio e pela TV.

FR: Como é trabalhar na grande empresa SporTV?
LJ: A primeira fita que mandei para a Globo foi em 1989. Enviei para o Ciro José, que era o diretor de esportes. Não sei se chegou nas mãos dele ou se ele assistiu algum dia. Acho que não! Desde então fiquei determinado a chegar aonde estou. Mas foi um processo longo. No meio do caminho fui assessor de imprensa do piloto Mauricio Gugelmin na F1 e aí fiz alguns contatos importantes, que me ajudam até hoje. Eu tinha um amigo que conhecia o diretor do Sportv e ele fez o contato para mim. Era o jornalista Alex Gutenberg, que trabalhava comigo em alguns projetos. Ele foi decisivo para que a minha fita chegasse nas mãos certas. Daí em diante as coisas foram se encaixando e meu sonho se realizou. O Sportv e a Globo são os maiores canais do país, no meu segmento, os esportes. Quando vim pra São Paulo, já fui escalado para fazer o Show do Intervalo na Globo e o Sportv foi me abrindo bons eventos.

FR: No campo jornalístico, quem foi sua inspiração para crescer profissionalmente?
LJ: Tive vários caras que me inspiraram. O primeiro foi o José Carlos Araújo, o Garotinho, que narrava na Rádio Nacional e eu ouvia muito. Um dia o Lombardi Júnior, que era o titular da Rádio Clube de Curitiba me deu um toque: "Tente seguir a escola paulista, porque o estilo carioca não funciona bem aqui no Paraná". Depois deste conselho fui procurar outras referências, do rádio de São Paulo. Osmar Santos, Fiori Gigliotti e o Antônio Edson foram caras que passei a ouvi muito. Na TV sempre gostei do estilo do Galvão Bueno. Ele é um cara que tem o timing da TV. Presto muita atenção no trabalho dele. Aprendi a trabalhar para o editor dos melhores momentos com um conslho do Alfredo Taunay (Chefe de Operações do Sportv em São Paulo): "O Galvão narra pensando nos melhores momentos". Você precisa acertar a narração para o editor cortar no ponto certo, sem fazer emendas na edição.

FR: Qual o momento mais marcante de sua carreira?
LJ: Tenho dois momentos especias. No rádio foi a transmissão da final da Copa do Mundo em 1986 no México. Argentina 3x2 na Alemanha. Toda a cobertura pela Rádio Cidade de Curitiba foi marcante. Teve a Fórmula 1 em 87 e 88, com os títulos do Piquet e do Senna, em sequencia. Na TV foi a cobertura do Pré-Olimpico e Sulamericano do Perú no ano passado. Foram 30 dias de muita entrega, e uma experiência inesquecível no Sportv.

FR: Como você avalia o Futebol Brasileiro no cenário mundial, tendo em vista times como o Barcelona?
LJ: Ainda achamos que somos os melhores do mundo. Temos um "Q" de arrogância quando o assunto é futebol. Nossos jogadores são bons, talentosos, mas outros centros estão à nossa frente neste momento, principalmente na Europa. Durante esta Copinha conversei com o Raul Plassmann em São José do Rio Preto e ele levantou uma tese que acho pertinente. Há muitos preparadores físicos treinando as categorias de base, sem a experiência dos campos para passar aos jovens. Os treinamentos e os esquemas táticos são mecânicos e viciados. E isso está refletindo diretamente na formação dos novos jogadores. É um tema interessante para ser aberto e discutido.

FR: Como você vê a preparação da Seleção Brasileira para a Copa de 2014?
LJ: O Brasil vai fazer a Copa e, acho que vai fazer direito. Não sei a que custo... A questão política pode atrapalhar muito. O brasileiro tem uma mania desgraçada de querer fazer média com todo mundo. Creio que temos mais sedes do que precisamos. O Serra Dourada está pronto e foi preterido. O Morumbi foi outra questão política. As cidades são muito distantes umas das outras e será uma Copa cansativa para todo mundo. A mais cansativa de todos os tempos. Mas, acho que vai dar certo, apesar de tudo...

FR: Para você, qual o melhor jogador de futebol de todos os tempos? E atualmente?
LJ: Pelé é indiscutível. Era ótimo em todos os fundamentos. Nunca será igualado, talvez. Hoje temos Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo, mas são caras muito bons em alguns fundamentos, mas deficientes em outros. Essa é a diferença deles para o Pelé.

FR: Defina em uma palavra: FUTEBOL:
LJ - É uma paixão. Vivo futebol o tempo todo, faz parte do meu cotidiano, apesar de não jogar... Faço futebol com o olhar, observando e transformando essa observação em emoção para àqueles que acompanham minhas narrações. Joguei muito fitebol quando era criança... Mas hoje em dia.... rsrsrs.

FR: JORNALISMO:
LJ: Uma arte.

FR: SPORTV:
LJ: Um canal campeão, uma emrpesa exemplar...

FR: Qual o seu conselho para aqueles que estão ingressando na carreira jornalistica?
LJ: Acreditar nos sonhos e perseverar, sempre... Exclua a palavra desistir do seu vocabulário...

FR: Deixe um recado para os leitores de nosso blog:
LJ: Sejam críticos, aproveitem todo o conhecimento que aparecer à sua frente... Qualquer experiência de vida tem um valor inestimável...

FR: Obrigado pelo apoio, sucesso em 2012, muita paz e saúde!
LJ: Desejo um ótimo ano a todos, com saúde, paz, alegria. Foi um prazer conversar com vocês... Um grande abraço.

Equipe Futebol Report
Reações:

3 comentários:

Kaique Pedaes disse...

O Linhares é um grande narrador. Admiro ele bastante, e passo a admirar ainda mais após essa entrevista. Não conhecia muito dele, pois difícilmente eu o via fora das transmissões, como apresentando programas, por exemplo. Mais uma prova de que é um grande narrador e jornalista, é que vai completar 30 anos de carreira em 2013, e essa marca é muito expressiva, além de já ter transmitido Fórmula 1, algo que é muito diferente do futebol, que é sua especialidade. Parabéns à ele e ao blog pela entrevista!

Abraço!

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Tammer e Fred disse...

Obrigado pelo apoio e admiração! Sucesso!

Walter Lynch disse...

Trajetória é com "J".

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